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á uma pergunta que as equipas de RH raramente fazem de forma direta: quanto custa, ao longo de um ano, perder as pessoas que se perdem por razões que eram evitáveis?

O O Estado da Compensação em Portugal 2026 adianta dados que tornam a resposta mais fácil de calcular. E um dos padrões mais claros do estudo aponta para o seguro de saúde, não como benefício simpático, mas como variável com impacto direto na intenção de permanência.

Satisfação e intenção de saída: a relação que importa

O estudo mostra que trabalhadores com acesso a pacotes de benefícios mais completos reportam níveis significativamente mais elevados de satisfação com o trabalho, e menor vontade de procurar outro emprego. A relação mantém-se mesmo quando se controla o efeito do rendimento. Ou seja, não é apenas o salário que faz as pessoas ficar.

Mais do que isso: o estudo confirma que a satisfação com a compensação - com o pacote completo - tem impacto direto na felicidade no trabalho. Entre quem está satisfeito com a compensação, 81% afirma ter sentido felicidade nos três dias anteriores ao estudo. Entre quem está insatisfeito, esse valor cai para 56%.

Não é uma correlação fraca. É uma diferença de 25 pontos percentuais na experiência emocional do trabalho.

O seguro de saúde no centro do desalinhamento

48,9% dos trabalhadores portugueses ainda não tem acesso a seguro de saúde através da empresa. Ao mesmo tempo, 73% considera-o um elemento importante no pacote de compensação.

Esse intervalo, entre o que existe e o que se espera, é exatamente onde o risco de saída cresce. Não de forma imediata, mas de forma acumulada. Uma pessoa que identifica uma lacuna clara na proposta de valor da empresa está a fazer, sem o perceber, uma análise de custo de oportunidade permanente.

O dado agrava-se quando se olha para as preferências por benefícios. Quando o estudo pergunta o que as pessoas gostariam de ter mas ainda não têm, surgem:

  • apoio em combustível
  • despesas de saúde e bem-estar com seguro incluído, logo em segundo lugar.

É um sinal claro de onde estão as expectativas por satisfazer, e por isso também onde está o risco de perder alguém.

Não basta ter, é preciso funcionar

O que torna um seguro de saúde eficaz na perspetiva de retenção não é o facto de existir, é a forma como funciona no dia a dia.

O estudo perguntou diretamente quais os aspetos mais valorizados num seguro de saúde. Os resultados são claros: a cobertura lidera, seguida da facilidade de reembolsos e pagamentos, da possibilidade de incluir familiares e da ausência de franquia. A rede de prestadores e o custo do prémio surgem depois.

Um seguro com cobertura limitada, reembolsos lentos e processo burocrático não gera o mesmo efeito de retenção que um seguro que uma pessoa consegue usar sem fricção. O benefício existe no papel mas não existe na experiência, e é a experiência que influencia a forma como as pessoas avaliam o seu pacote de compensação.

O argumento para o CFO

Entre quem tem seguro de saúde pago pela empresa, 77,4% tem-no totalmente coberto pela organização. Quando a empresa assume o custo integral, o impacto percebido pelo colaborador é máximo. Este éum benefício que não partilha visibilidade com o salário, mas que contribui para a perceção de que a empresa investe nas suas pessoas.

Do ponto de vista financeiro, o argumento não é apenas de bem-estar. O custo de substituição de um colaborador, somando recrutamento, integração e tempo até atingir produtividade plena, é consideravelmente superior ao custo anual de um seguro de saúde por pessoa.

O estudo conclui que pacotes integrados geram mais satisfação do que benefícios avulsos. O seguro de saúde isolado não resolve tudo. Mas a ausência dele, num mercado onde 73% o considera importante e quase metade dos trabalhadores ainda não o tem, é um custo que as empresas continuam a pagar sem o reconhecer como tal.

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O Estado da Compensação em Portugal 2026

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