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rabalhar quatro dias por semana e descansar três. Até parece bom demais para ser verdade, mas talvez não seja uma realidade assim tão longínqua. Em vários países, o tema merece um lugar de destaque, e algumas empresas já avançaram mesmo com projetos-piloto para testar o modelo. Reino Unido, Espanha, Bélgica e Islândia são apenas alguns dos que se atreveram a experimentar a semana de trabalho reduzida. Em Portugal, embora ainda se contem pelas mãos, também já existem exemplos. 

O primeiro passo tem sido testar, já que é uma medida que divide empresários, economistas e especialistas. Mas na Bélgica, por exemplo, está em causa uma reformulação da própria lei laboral. Os belgas vão passar a ter direito a uma semana de trabalho de quatro dias, sem corte no salário, no âmbito de uma reformulação da lei do trabalho proposta pelo Governo. As empresas poderão negar o pedido dos colaboradores para uma semana de trabalho mais curta, mas terão de justificar a decisão.

“Passámos por dois anos difíceis. Com este acordo, definimos uma visão para uma economia mais inovadora, sustentável e digital. O objetivo é tornar as pessoas e os negócios mais fortes”, disse o primeiro-ministro belga, Alexander de Croo, citado pela Euronews, durante a conferência de imprensa de apresentação deste pacote de reforma da Lei laboral do país. 

“Se compararmos o nosso país com outros mercados, frequentemente somos muito menos dinâmicos. Depois de dois anos difíceis, o mercado de trabalho evoluiu. Com este acordo estamos a estabelecer o benchmark para uma boa economia”, justificou.

Em Portugal, há também quem acredite que o futuro do trabalho passará por aqui. O tema foi trazido para a discussão quando o Partido Socialista integrou a semana de trabalho reduzida no seu programa eleitoral, nas últimas eleições legislativas. Posteriormente, o atual governo criou um grupo de trabalho para estudar a semana laboral de quatro dias. Está em cima da mesa a possibilidade de avançar com um projeto-piloto, mas os detalhes ainda não são conhecidos. No entanto, já há alguns exemplos nacionais. 

Os casos nacionais 

A Feedzai e o Doutor Finanças são algumas das empresas que já realizaram projetos-piloto e este ano retomaram, embora com reajustes. Em ambos os casos, os colaboradores não sofrem qualquer consequência a nível de rendimento.

Outra portuguesa que se está a estrear neste campo é a Talent Protocol, que iniciou um projeto-piloto recentemente. A expectativa é de que os colaboradores consigam trabalhar melhor e durante menos horas.

Embora ainda sejam poucos os exemplos em terras lusas, o tema começa a estar na agenda das organizações. Veja-se o caso da MC, a detentora do Continente, que está a dar aos colaboradores do escritório a possibilidade de não trabalharem nas sextas-feiras à tarde, uma medida que a companhia admite que pode ser uma espécie de ‘rampa de lançamento’ para uma possível adoção da semana de quatro dias de trabalho, no futuro. 

Esta foi também a opção adotada pela Onya Health, onde, desde 15 de julho e até 26 de agosto, não se trabalha à sexta-feira à tarde. Após este período, a consultora de comunicação especializada no setor da saúde vai recolher feedback e avaliar o impacto da medida na vida dos seus colaboradores, assim como na produtividade. 

Também a B6 Software Solutions avançou para uma semana de quatro dias e meio de trabalho. Os primeiros quatro dias da semana laboral são de oito horas de trabalho, enquanto à sexta-feira o horário de trabalho tem apenas três horas. Em apenas alguns meses, a tecnológica sediada no norte do país e associada da Porto Tech Hub diz que já sentiu o impacto positivo da implementação desta medida na produtividade da equipa, bem como na evolução do próprio negócio. 

Produtividade divide especialistas 

Produtividade, esse grande ‘palavrão’ que vem sempre à tona quando falamos da semana de quatro dias. Para os mais céticos e os que consideram que o tema não é prioritário, este é o principal fator contra a medida. A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) já veio dizer que considera que não vê facilmente acontecer a mudança para uma semana de quatro dias, não devido à atual legislação, mas sim devido ao contexto nacional.

“O país tem um problema sério de produtividade, um grave problema de crescimento. Se queremos ter todos mais riqueza, precisamos de encontrar modelos que aumentem essa capacidade de produzi-la, e não apenas que sirvam como uma dificuldade”, defendeu Armindo Monteiro, vice-presidente da CIP, durante o painel “4-Days Normal” do Building the Future.

“Para que seja uma mudança com sucesso deve ser baseada em realidades muito objetivas, que nos permitam ter um cenário onde seja exequível esta operação. Se não for exequível, todos nós vamos perder”, disse na altura. 

Mas há quem use precisamente a produtividade como razão para justificar a necessidade de uma semana de trabalho reduzida. É o caso de Pedro Gomes, reader na Birkbeck, University of London, e autor do livro “Sexta-Feira é o Novo Sábado”. 

“É precisamente por Portugal ter níveis baixos de produtividade que devemos testar a semana de quatro dias. Se o sistema que temos não funciona, então é exatamente por isso que devemos estudar e olhar para esta prática de gestão. O que acontece é que, como Portugal é dos países da Europa onde se trabalha o maior número de horas, há uma visão quase contabilística da associação entre as horas de trabalho e a produção. Mas, muitas vezes, trabalhar mais horas não significa produzir mais, porque também cometemos mais erros, e os erros no processo de produção podem sair extremamente caros”, afirmou em entrevista à Pessoas by ECO

“Portugal é dos países que têm maior número de acidentes de trabalho. Portugal é dos países que têm maior índice de burnout da União Europeia. E quais são os custos do burnout? Quando um trabalhador tem de sair por dois ou três meses, qual o custo para a empresa e para a própria economia? E para o Sistema Nacional de Saúde? Quais são os custos dos acidentes de trabalho? Quais são os custos de peças defeituosas em fábricas? Qual o custo de negligência médica, que, muitas vezes, acontece, não porque o médico não é bom, mas porque trabalha demasiadas horas? É preciso ter uma visão global da empresa. Um dos maiores erros é pensar a semana de quatro dias desta forma: ‘Conseguem os meus trabalhadores produzir o mesmo em quatro dias?’ A questão não é essa. É antes: ‘Consegue a empresa produzir o mesmo, com menos custos?’. E, para isso, é preciso uma visão global”, acrescentou. 

A Noruega e a Dinamarca, onde se trabalha menos do que 40 horas semanais, estão no top 10 dos países mais produtivos do mundo. E o piloto da semana de 4,5 dias levado a cabo no ano passado nos Emirados Árabes Unidos com os funcionários públicos revela dados promissores: 70% reporta estar a trabalhar de forma mais eficiente; registou-se uma queda de 55% no absentismo e 71% diz estar a passar mais tempo com a família, revelou, em maio, um responsável governamental num debate do World Forum Economic. 

Ainda assim, um estudo da Mercer dizia, no início do ano, que só entre 10% a 12% das empresas em Portugal admitem que a implementação da semana de quatro dias faz parte dos seus planos a curto prazo. 

Os prós e os contras 

Com base nas diferentes conclusões dos vários estudos sobre o tema, e também nas opiniões de especialistas e economistas, a Coverflex reuniu um conjunto de prós e contras que envolvem a medida, tanto para os colaboradores como para as empresas. Sugerimos que o consideres e tires as tuas próprias conclusões.

As principais vantagens: 

● Maior equilíbrio entre a esfera pessoal e a profissional 

● Melhor atração de talento 

● Diminuição da taxa de rotatividade 

● Diminuição do impacto ambiental 

● Redução de custos 

● Possível aumento da produtividade dos colaboradores 

● Gestão do tempo mais eficiente 

● Impulso das indústrias do lazer e entretenimento 

As principais desvantagens: 

● Regime não aplicável a todas as empresas 

● Difícil adaptação 

● Risco de diminuição da satisfação do cliente 

● Possível diminuição da produtividade dos colaboradores 

● Necessidade de desenvolvimento de novas skills, nomeadamente de gestão de tempo e foco 

● Má aplicação deste regime de trabalho (com a ideia falaciosa de que o objetivo é fazer em quatro dias o mesmo que se faz em cinco)

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