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ão têm morada, nem sequer um código postal. Os colaboradores e convidados chegam ao escritório destas empresas através de um link, sem terem de se deslocar fisicamente. O escritório existe e, tal como um escritório físico, conta com diferentes espaços de trabalho, corredores, salas de reuniões, colaboradores a circular… Mas tudo isto acontece no metaverso. 

É como se fosse chegar ao escritório pela manhã. Podem-se acrescentar-se e retirar-se coisas. A Harpoon.jobs, empresa especializada em recrutamento, além de um escritório físico, num espaço de cowork na capital lisboeta, decidiu criar um metaoffice, com salas de reunião, auditórios para conferências e webinars, espaços para descansar e fazer uma pausa a meio do dia, para trabalhar em equipa e até zonas verdes no exterior. 

Objetivo? Aproximar as pessoas, apesar de distantes fisicamente. No metaoffice é possível, à semelhança do que acontece num escritório físico levantar da mesa, ir falar com outra pessoa, encontrar alguém no corredor… Até fazer uma pausa no jardim ou ir jogar matraquilhos com os colegas.

Fundada em 2009, a eXp Realty é outro exemplo de uma empresa com metaoffice. A imobiliária diz ser “a antítese” das tradicionais, tendo um modelo de negócio profundamente enraizado numa espécie de metaverso. E, graças a este escritório virtual, a companhia consegue aumentar as comissões pagas aos colaboradores. 

No metaoffice da eXp, há espaços destinados à socialização, quadros com informações úteis para os funcionários, um espaço com um piano e cada país tem um “piso” próprio. Há também salas de reuniões onde é possível projetar dispositivos, muito úteis para ações de formação e eventos, por exemplo. E basta fechar a porta para, nos corredores, não se ouvir nada do que se passa dentro das salas. 

71% dos gestores acreditam que o metaverso vai ter um impacto positivo 

A criação do termo metaverso – união das palavras “meta” e “universo” – é atribuída a Neal Stephenson, autor do livro “Snow Crash”. A obra de ficção científica, que remonta a 1992, retrata uma cidade de Los Angeles totalmente independente dos Estados Unidos da América (EUA), depois do colapso da economia mundial. Quase 30 anos depois, a expressão entrou de rompante no vocabulário de milhões de pessoas em todo o mundo. 

Apesar de a sua definição ser bastante abrangente e subjetiva, de tal forma que a lista de tecnologias já catalogadas de metaverso cresce de dia para dia, já há mesmo quem compare a chegada do metaverso à revolução da Internet no final da década de 90. 

Apesar de a sua definição ser bastante abrangente e subjetiva, de tal forma que a lista de tecnologias já catalogadas de metaverso cresce de dia para dia, já há mesmo quem compare a chegada do metaverso à revolução da Internet no final da década de 90. 

A onda de mediatismo que arrebatou o tema deveu-se, em grande parte, ao rebranding que o Facebook – agora Meta – levou a cabo, no final de outubro do ano passado. Uma mudança que refletiu a nova estratégia da companhia. 

“Penso no metaverso como a próxima geração da Internet. Em vez de vermos a Internet, estamos dentro dela”, disse Mark Zuckerberg ao programa “This Morning”, da CBS, uma estação televisiva norte-americana. E deixou uma confissão: “Sempre quis construir este sistema.” 

Na visão da empresa, serão assim os escritórios do futuro. Um espaço onde vamos poder reunir, conversar, estudar e trabalhar – todos juntos, porém, à distância. Uma fusão entre realidade e ficção, produtividade e entretenimento. Aquilo que a tecnológica chama de metaverso. 

“Vamos passar menos tempo no escritório. Vai haver mais gente a trabalhar remotamente”, defendeu. “Os escritórios ocupam um espaço importante, mas também existe um espaço importante para quem quer ficar junto da família ou no sítio onde cresceu, ou ter acesso a oportunidades que historicamente só existiriam em Nova Iorque ou Los Angeles.” 

“Vamos passar menos tempo no escritório. Vai haver mais gente a trabalhar remotamente”, defendeu. “Os escritórios ocupam um espaço importante, mas também existe um espaço importante para quem quer ficar junto da família ou no sítio onde cresceu, ou ter acesso a oportunidades que historicamente só existiriam em Nova Iorque ou Los Angeles.” 

A previsão de Mark Zuckerberg vai ao encontro das conclusões da Accenture, que mediu o pulso a 4.600 líderes tecnológicos e gestores de 23 setores, em 35 países diferentes. Mais de 70% (71%) dos inquiridos acreditam que o metaverso vai ter um impacto positivo na sua organização. Contudo, menos de metade (42%) estima que será “inovador e transformador”.

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