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inda que tenhamos todas as precauções e todos os cuidados possíveis, todos podemos sofrer um acidente de trabalho. Por isso mesmo, em Portugal, todas as entidades empregadoras são obrigadas a garantir aos seus colaboradores o seguro de acidentes de trabalho. 

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Mas o que é considerado um acidente de trabalho? Quando e como se ativa o seguro de trabalho? E como se aplica aos colaboradores que trabalham a partir de casa? Neste artigo, damos as respostas a algumas dúvidas que podes ter sobre o seguro de acidentes de trabalho. 

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Como funciona?

O seguro de acidentes de trabalho, também chamado “seguro de trabalho”, garante a prestação dos cuidados médicos necessários ao restabelecimento do estado de saúde do trabalhador vítima de um acidente, ou sinistrado, da sua capacidade de trabalho e de ganho, bem como todas as despesas relacionadas com a assistência hospitalar, medicamentosa e farmacêutica, despesas de hospedagem, de transporte e apoio psicoterapêutico à família (quando reconhecido pelo médico como necessário). 

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Além da assistência médica, o seguro garante o pagamento de eventuais indemnizações por incapacidade temporária ou permanente que resulte de um acidente de trabalho ou de uma doença profissional.

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É obrigatório?

Segundo o artigo 1.º do DL n.º 159/99, de 11 de Maio, o seguro de acidentes de trabalho é obrigatório. A Lei n.º98/2009, de 4 de setembro regula este seguro para trabalhadores por contra de outrem. 

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A falta de um seguro de acidentes de trabalho válido é considerada uma contraordenação muito grave. Assim, sem uma apólice válida, a empresa fica com o encargo de pagar todas as despesas decorrentes do acidente, recorrendo, se necessário, ao seu próprio património. Isto inclui os tratamentos médicos e eventuais pensões.

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Seguro de acidentes de trabalho para trabalhadores independentes

O  DL n.º 159/99, de 11 de Maio regula o seguro de acidentes de trabalho para trabalhadores independentes ou a trabalhar através de recibos verdes. Segundo o artigo 2.º deste Decreto-Lei, o seguro de acidentes de trabalho dos trabalhadores independentes rege-se, com as devidas adaptações, pelas disposições da Lei n.º98/2009, de 4 de setembro e diplomas complementares, salvo algumas exceções, mencionadas nos artigos seguintes da mesma Lei.

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O que é um acidente de trabalho? 

Segundo o artigo 8.º da Lei 98/2009, de 4 de setembro, considera-se acidente de trabalho todo o tipo de acidente que ocorra no local, durante o tempo dedicado à atividade profissional, ou no trajeto casa-trabalho e vice-versa, do qual resulte uma lesão corporal, perturbação funcional ou doença que origine redução da capacidade de trabalho, de ganho, ou, em casos extremos, a morte do trabalhador. 

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Quando pode ser considerado acidente de trabalho? 

Está coberto por este seguro o acidente que ocorra não só durante o período das oito horas de trabalho acordadas (das 9h00 às 18h00, por exemplo) mas também durante o trajeto de casa para o local de trabalho e do local de trabalho para casa. Importa salientar que não deixa de ser considerado acidente de trabalho quando o trabalhador faz interrupções ou desvios no trajeto normal. No entanto, estas devem visar necessidades atendíveis do trabalhador, por motivos de força maior ou por caso fortuito. 

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A pausa para almoçar também está ‘segura’, estando o colaborador protegido, da mesma forma, durante o trajeto entre o local de trabalho e o local de refeições, e vice-versa. Contudo, os seguros não cobrem eventuais acidentes que ocorram no local de refeição.

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O que pode ser considerado acidente de trabalho? 

Para ser considerado acidente de trabalho, deve ocorrer no local de trabalho, ou seja, no lugar (ou lugares) onde o trabalhador se encontre ou para onde deva dirigir-se em função da sua atividade e em que esteja, direta ou indiretamente, sujeito ao controlo da entidade patronal. Para efeitos de acidente de trabalho também é considerado local de trabalho o lugar onde o trabalhador se encontrar a prestar teletrabalho, desde que o mesmo conste do acordo de teletrabalho. 

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Que outras situações estão incluídas no conceito de local de trabalho? 

Podem ainda incluir-se no conceito de local de trabalho: 

  • Reuniões ou atividades enquanto representante dos trabalhadores, seja na empresa ou noutro local; 
  • Formação profissional, no local de trabalho ou fora dele, sempre que exista a autorização expressa do empregador para tal frequência; 
  • Festas e convívios organizados pela empresa; trabalho fora do escritório ou atividade fora das horas habituais, desde que esse serviço tenha sido indicado, ou consentido, pelo empregador; 
  • Trajeto entre local de trabalho e local de refeição; 
  • Trajeto entre locais de trabalho (se mais do que um); 
  • Local onde o trabalhador receba qualquer forma de assistência ou tratamento, por anterior acidente.

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E se o acidente ocorrer em teletrabalho? 

O empregador é legalmente obrigado a celebrar um seguro de acidentes de trabalho, que proteja os seus colaboradores, quer trabalhem presencialmente no escritório, quer trabalhem a partir de casa ou de qualquer outro sítio. Assim, os trabalhadores em teletrabalho continuam a estar protegidos pelo seguro de trabalho. No entanto, para ser considerado acidente de trabalho tem de verificar-se o cumprimento das seguintes condições: 

  • O acidente aconteceu no local comunicado à entidade empregadora como local de teletrabalho; 
  • O acidente aconteceu durante o horário de trabalho e apenas no âmbito do exercício das funções do trabalhador.

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A Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF) alerta que o regime de teletrabalho deve estar devidamente formalizado entre a entidade empregadora, o trabalhador e a companhia de seguros. Além dos registos de autorização para os trabalhadores em teletrabalho, as empresas devem fornecer também à seguradora a indicação do local onde o trabalhador está a prestar trabalho, horários, e os direitos e os deveres dos trabalhadores. 

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Como acionar o seguro de trabalho?

Em caso de acidente de trabalho, o trabalhador sinistrado deve ser levado para o hospital mais próximo para que lhe sejam prestados os primeiros socorros. Se a entidade empregadora não presenciou o acidente, o trabalhador – ou alguém que o represente – deve participar, verbalmente ou por escrito, o acidente ao empregador durante as 48 horas seguintes ao acontecimento. Caso o estado do trabalhador, ou outra circunstância devidamente comprovada, não permita que seja cumprido este prazo, conta-se a partir da cessação do impedimento. 

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Por outro lado, se a lesão só se revelar posteriormente às 48 horas que seguiram o acidente, contam-se a partir da data do reconhecimento comprovado da lesão. 

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A entidade empregadora, por sua vez, após ter conhecimento do acidente, dispõe de 24 horas para participar à companhia de seguros. 

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Quanto se pode receber do seguro de acidentes de trabalho?

As companhias de seguros contratadas pelas empresas devem, segundo a Lei n.º98/2009, de 4 de setembro, assumir o pagamento das prestações por incapacidade derivada de um acidente de trabalho. As seguradoras estão, de acordo com a mesma lei, obrigadas a pagar 70% do vencimento bruto do trabalhador sinistrado nos primeiros 12 meses de incapacidade temporária e 75% após esse período.

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O valor final a receber do seguro de acidentes de trabalho depende de vários fatores, principalmente do grau e do tipo de incapacidade, ambos determinados após o acidente de trabalho. A incapacidade pode ser temporária parcial, temporária absoluta, permanente parcial, permanente absoluta para o trabalho habitual, ou permanente absoluta para todo e qualquer trabalho.

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Em caso de incapacidade, os seguros de acidentes de trabalho contemplam dois tipos de prestação: em espécie, como por exemplo através da cobertura de assistência hospitalar, transporte, despesas farmacêuticas, entre outros, e em dinheiro, como por exemplo através de indemnizações, prestações, pensões e subsídios.

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Quanto tempo demora a seguradora a pagar?

Nos processos de acidente de trabalho, não existe um prazo estipulado para a seguradora pagar, embora tenda a demorar, por norma, entre um e quatro meses.

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Quando o processo se dá por concluído, o tribunal de trabalho notifica as partes (o trabalhador sinistrado, a companhia de seguros e, em alguns casos, a entidade patronal), que devem comparecer em tribunal para que seja feita a entrega do valor devido.

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Se a incapacidade for inferior a 30% e cumprir os restantes critérios necessários para haver resgate do valor, o sinistrado recebe a indemnização de uma só vez. Se a incapacidade for superior a 30% ou absoluta, o sinistrado recebe uma pensão anual vitalícia, que deverá ser paga mensalmente, em 14 vezes ao longo de cada ano, até ao 3.º dia de cada mês.

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Baixa médica pelo seguro de trabalho

Se do acidente de trabalho resultar a necessidade de o trabalhador entrar em baixa médica - um documento, emitido por um médico designado pela seguradora, que certifica a doença e/ou a incapacidade do trabalhador de executar a sua atividade profissional durante um certo período de tempo -, fica do lado da seguradora cobrir os custos devidos decorrentes da baixa.

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