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os últimos meses, muito se tem falado do fenómeno "The Great Resignation" e da forma como as empresas antecipam a necessidade crescente de irem, cada vez mais, ao encontro das reais - e pessoais - necessidades dos seus colaboradores. Mas, afinal, de que se trata este fenómeno?

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“The Great Resignation” foi um termo atribuído a Anthony Klotz, um professor da Mays Business School, da Texas A&M University. Num artigo de 2021, Klotz falava sobre o êxodo dos trabalhadores, defendendo que, até ao final do ano, milhões de profissionais iriam deixar voluntariamente os seus postos de trabalho. Um estudo da Microsoft, de março de 2021, reforçava a mesma ideia, indicando que cerca de 40% dos funcionários considerava deixar o seu trabalho se tivesse de voltar ao modelo de trabalho tradicional (pré pandemia).

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“The Great Resignation” foi um termo atribuído a Anthony Klotz, um professor da Mays Business School, da Texas A&M University. Num artigo de 2021, Klotz falava sobre o êxodo dos trabalhadores, defendendo que, até ao final do ano, milhões de profissionais iriam deixar voluntariamente os seus postos de trabalho. Um estudo da Microsoft, de março de 2021, reforçava a mesma ideia, indicando que cerca de 40% dos funcionários considerava deixar o seu trabalho se tivesse de voltar ao modelo de trabalho tradicional (pré pandemia).

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Tudo porque, com o aumento do número de pessoas vacinadas e o regresso ao trabalho presencial, muitos colaboradores não iriam querer voltar a trabalhar nessas (velhas) condições, preferindo despedir-se e procurar um novo emprego. Num outro artigo, desta vez para a Bloomberg, Anthony Klotz partilhou até algumas dicas sobre “How to quit your job with grace” - em português seria qualquer coisa como “como se despedir com elegância”. 

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Mas voltemos à Great Resignation: Anthony Klotz acertou ou não?

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A resposta é: tudo indica que sim! Só em abril de 2021, quatro milhões de norte-americanos despediram-se. Cerca de três meses depois, mais três milhões faziam o mesmo.

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Por cá, na Europa, há menos informação - aliás, menos números. Porém, alguns estudos e analistas revelam que a Great Resignation já chegou ao continente, com a Alemanha a liderar o número de demissões, seguida do Reino Unido, da Holanda e da França.

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O mesmo fenómeno também se observou na China. Se bem que ali tenha sido batizado de “tang ping”, estando também associado a um novo estilo de vida adotado por vários jovens chineses, que parecem não estar dispostos a sacrifícios em prol de uma carreira.‍

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Mas, afinal, quem são estes colaboradores?‍

Para começar, é preciso entender que, apesar de falarmos de uma tendência global, o passo da demissão tem sido dado por profissionais com um perfil muito similar. Falamos de trabalhadores:

  • Entre os 30 e os 45 anos;
  • Empregados nos setores tecnológico, da saúde - na segunda área parece haver um claro cansaço e desgaste óbvio devido à pandemia, que os leva a querer sair - e da restauração/hotelaria;
  • Com menos compromissos financeiros (seja porque têm poucas posses - por exemplo, carro ou casa para pagar - ou simplesmente porque optaram por um estilo de vida mais frugal e menos consumista).

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Apesar dos pontos em comum, há um de clara divergência: a questão do salário. De um lado, temos profissionais bem pagos que não têm qualquer problema em deixar o seu trabalho, porque sabem que, graças às suas competências e experiência, facilmente encontrarão algo novo. Do outro, temos colaboradores menos bem pagos e que, após a pandemia, procuram um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. Contudo, algo que parece uni-los quanto ao salário é: todos parecem estar dispostos a receber menos, se isso significar viver melhor. Por último, é de destacar que não há indicação de que estes profissionais não gostem dos seus trabalhos; os dados até agora indicam que gostam das empresas onde trabalham. Aquilo que verdadeiramente os motiva é a procura de um melhor balanço entre o trabalho e a vida familiar.

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Além de tudo isto, parece haver outro desejo comum: (continuar a) trabalhar remotamente. No caso dos trabalhadores que durante o confinamento trabalharam remotamente, após verem que “é possível” e que o sistema funciona, parece-lhes ser bastante difícil entender (e aceitar) a razão pela qual não podem continuar neste modelo. 

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Para muitos, o trabalho remoto veio permitir um equilíbrio entre a vida no escritório e o entorno pessoal. Significou também deixar de perder horas em deslocações de casa para o trabalho e do trabalho para casa, e/ou em gastos associados ao transporte, refeições fora de casa, etc.. E mais: o trabalho remoto permitiu e permite aos colaboradores mudar de vida. Muitos deixaram as suas vidas agitadas, em apartamentos pequenos e caros no centro da cidade, para viver em casas maiores e mais baratas, em sítios mais agradáveis e com melhor qualidade de vida.

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Para muitos, o trabalho remoto veio permitir um equilíbrio entre a vida no escritório e o entorno pessoal. Significou também deixar de perder horas em deslocações de casa para o trabalho e do trabalho para casa, e/ou em gastos associados ao transporte, refeições fora de casa, etc.. E mais: o trabalho remoto permitiu e permite aos colaboradores mudar de vida. Muitos deixaram as suas vidas agitadas, em apartamentos pequenos e caros no centro da cidade, para viver em casas maiores e mais baratas, em sítios mais agradáveis e com melhor qualidade de vida.‍

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O que podem as empresas fazer?‍

Ora, este novo paradigma representa um gigante desafio para as empresas, sobretudo na hora de encontrar estratégias para reter talento.

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Paralelamente, implica também uma mudança de mentalidade. O paradigma mudou e o “novo normal” tem uma maior preocupação com os trabalhadores. Por isso - e à parte do salário -, os colaboradores esperam também mais das empresas. E não basta ser mais flexível (seja quanto aos horários ou no que toca à possibilidade de trabalho remoto, por exemplo). É também importante que se esforcem para conhecer bem cada colaborador, entendendo a realidade de cada um, definindo estratégias pessoais com propósito e promovendo a sua autenticidade. Obviamente, produtividade é importante - mas respeitar a essência de cada colaborador, tirando proveito do talento de cada um, será essencial.

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Claro que esta situação coloca um peso maior nos departamentos de Recursos Humanos que, por si só, não podem fazer magia. Segundo Marlene de Sousa, fundadora e diretora da Attittude, agência de recrutamento e de recursos humanos, “as empresas têm de encarar a capacitação como um investimento e não um custo. O desenvolvimento dos colaboradores é importante para os motivar e para garantir o conhecimento que fará com que eles desempenhem com qualidade e eficiência o seu trabalho”. Isto significa que, no futuro, possivelmente veremos cada vez mais gestores e colaboradores sentados à mesma mesa, definindo regras e estratégias. 

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Se as empresas querem os seus colaboradores no escritório, terão de oferecer mais. Por outras palavras, terão de dar-lhes um motivo para que eles queiram realmente voltar. Tal pode passar por oferecer melhores benefícios, promover um bom ambiente de trabalho, apostar em espaços mais criativos e atrativos e, claro, “demonstrar que sabem reconhecer os colaboradores que desempenham de forma excecional as suas funções é o segredo do sucesso de qualquer empresa”, assegura Marlene de Sousa.

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Se as empresas querem os seus colaboradores no escritório, terão de oferecer mais. Por outras palavras, terão de dar-lhes um motivo para que eles queiram realmente voltar. Tal pode passar por oferecer melhores benefícios, promover um bom ambiente de trabalho, apostar em espaços mais criativos e atrativos e, claro, “demonstrar que sabem reconhecer os colaboradores que desempenham de forma excecional as suas funções é o segredo do sucesso de qualquer empresa”, assegura Marlene de Sousa.

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As razões do fenómeno “The Great Resignation” e os desafios de atrair e reter talento na era da flexibilidade vão ser abordados e debatidos no próximo “ReFLEXions by Coverflex”, marcado para dia 15 de fevereiro de 2022, às 15 horas. As inscrições são gratuitas mas os lugares são reservados! Inscreve-te aqui. 

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